29/09/2008
Discutir é bom e eu gosto (às vezes)
Discutir é bom e eu gosto (às vezes)
Eu e o meu homem discutimos. Não é todos os dias, não estamos sempre pegados, mas de quando em vez discutimos. E algumas discussões são daquelas mesmo boas, daquelas que vêm mesmo a calhar em dias que nos apetece mandar vir com alguém. Não acredito em relações que não metam uns bons gritos de quando em vez. Não acredito. Geralmente, são sinónimo de qualquer coisa mais grave. Do género, já estão tão acomodados que nem vale a pena estar a discutir. Discutir para quê? Sobre quê? Fico nervosa com casais que estão sempre óptimos. Que nunca têm uma crise. Que se dizem iguaizinhos. Que gostam exactamente das mesmas coisas. Que são capazes de fazer tudo juntos, 24 sobre 24 horas. E que nunca se fartam. Nunquinha. Acho sinistro. A ausência de discussão numa relação é mais ou menos o mesmo que uma criança que está no quarto quietinha e em silêncio: alguma estão a aprontar. E, mais tarde, ou mais cedo, a coisa acaba por estalar. E quando estala, geralmente é em grande.
É por isso que eu dou graças a Deus pelas minhas discussõezinhas que, acredito, têm belos efeitos terapêuticos e me parecem sinal de normalidade. O meu homem, que é um doce (para além de santo), diz que as nossas discussões nunca põem em causa aquilo que sente por mim. Eu sou mais intempestiva, há sempre ali dois a quatro segundos em que penso que não lhe quero voltar a pôr a vista em cima nos próximos seis anos. Depois acalmo. Quando estou sozinha e não tenho que competir pela razão, lá admito que algumas vezes (raras) as coisas que ele diz até fazem algum sentido.Às vezes dou o braço a torcer, outras vezes dá ele por mim. Importante, importante é que, no final, ninguém vire as costas.
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